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VHF
De fato, Heinrich Hertz, em 1884, já gerava
ondas de 100 MHz com seu transmissor de faísca, com a
entrefaísca ligada a um dipolo terminado com dois discos de
metal, representando carga capacitiva. O receptor, a 9 m de
distância, era um loop ressonante de uma espira, entre cujo
entre ferro pulava faisca cada vez que o transmissor de 100
MHz era acionado. Mais tarde, em 1894, Lodge substituiu o loop
por um coesor de Branly, com o qual conseguiu aumentar o
alcance do transmissor de VHF de Hertz à distância de 30 m.
Os primeiros experimentadores de rádio
operaram, por acaso, em freqüências elevadas. Visto que os
circuitos acoplados aos geradores de faísca eram pequenos,
eles inerentemente ressonaram em freqüências elevadas. Na ll,ilia,
Righi gerou ondas de I 000 MHz em 1890, outros inventores
italianos chegaram a 3 000 MHz, e na índia, na virada do
século, Bhose já trabalhou com microondas e com guias de ondas
primitivas. Obviamente, a medição das freqüências, através dos
comprimentos de onda correspondentes, foi efetuada por meio de
linhas Lecher, inventadas em 1889. Marconi iniciou seus
trabalhos de rádio em 1895 com 150 MHz, na banda de 2 m, e até
utilizou refletor parabólico para concentrar o feixe e
aumentar o alcance, antes do fim do século
A sigla VHF, denominação popular de ondas
métricas, representa o segmento do espectro de ondas
eletromagnéticas compreendidas entre 30 MHz (exclusive) e 300
MHz (inclusive).
Visto que a utilização de VHF só se tornou
popular entre os radioamadores brasileiros na década de 70,
poucos radioamadores vão acreditar que sua tecnologia é mais
antiga do que a das ondas médias e curtas.
Todos chegaram à conclusão de que, para
aumentar o alcance, deveriam utilizar comprimentos de onda
maiores. Assim, a tecnologia VHF ficou hibernando durante
vinte anos.
Coube aos radioamadores o mérito de
ressuscitar o VHF. No número de outubro de 1924 da QST, órgão
oficial da ARRL, o editor técnico publicou o primeiro artigo
com os detalhes de construção de um transmissor de 5 m (60
MHz), utilizando como oscilador uma válvula C-302, da qual
retirou a base para reduzir a capacitância intereletrodos. Os
radioamadores o copiaram utilizando válvulas tipo 45 e 7lA de
sucata.
A revista QST deu grande impulso às
freqüências acima de 30 MHz. Na edição de julho de 193 I, o
editor técnico Jim Lamb publicou um artigo de onze páginas
sobre os osciladores de UHF, chegando com as válvulas da época
a 600 MHz (50 cm), com circuitos Barkhausen-Kurz e tecnologia
Gill-Morrell. No mesmo número, o editor técnico assistente
Ross Hall publicou um receptor super-regenerativo de três
válvulas para 60 MHz (5 m), que era, na época, a banda de
radioamador correspondente à nossa faixa atual de 50 MHz (6
m). No número seguinte, em agosto, Ross Hall, que foi um dos
grandes pioneiros de VHF, publicou um transceptor com duas
válvulas 7 I A em push-pull, modulados em AM por duas válvulas
47, ligadas em paralelo. Ele conseguiu operação duplex entre
duas estações, utilizando 56 MHz de um lado e 60 MHz do outro.
Nas três décadas que se seguiram, o VHF era
só objeto de experiência de poucos experimentadores, mas, na
década de 60, a indústria eletrônica especializada em
equipamento de radiocomunicação profissional teve que procurar
sucessor ao sistema de modulação AM que dominou até então as
comunicações em fonia.
A decisão sobre a modulação sucessora da AM
foi diferente para ondas curtas e para VHF. Em ondas curtas, a
opção recaiu sobre o SSB, ao qual os vários estudos atribuíram
uma vantagem de 12 dB sobre AM. Em VHF, e contrariamente às
comunicações aeronáuticas, que já estavam utilizando em escala
mundial AM nas comunicações de fonia em VHF, a escolha recaiu
sobre a FM de banda estreita (desvio de ± 7,5 kHz). Para fins
de comparação, podemos lembrar que a radiodifusão em FM
trabalha com banda larga (desvio de ± 75 kHz), enquanto os
telefones sem cordão trabalham com FM super estreita (desvio
de ±3 kHz).
Para nós, radioamadores, é interessante
mencionar que a primeira demonstração pública de modulação em
freqüência, inventada e patenteada pelo major Edwin Howard
Artnstrong, em 1933, foi realizada da casa do radioamador C.R.
(Randy) Runyon, W2AG, situada à North Broadway 544, em Yonkers,
até a sede do Institute of Radio Engineers (IRE), na rua 39,
em Manhattan, na cidade de Nova Iorque.
A introdução de FM nas bandas de VHF de
radioamadores conquistou os Estados Unidos na década de 60 e
os países latino-americanos na década de 70, especialmente
devido ao aparecimento de estações repetidoras que aumentaram
o alcance além dos limites de visibilidade direta entre as
duas estações em contato. Até meados da década de 70, os
transceptores eram equipados com cristais avulsos, porém a
freqüência sintetizada tomou conta rapidamente do mercado,
seguida por scanners, memórias, subtons, chamadas seletivas
codificadas e uma série sem fim de outros atrativos e de
sofisticações de ordem técnica.
Inexiste sombra de dúvida de que o advento
do VHF liberou o radioamador de seu shack, facilitou o seu
contato com o mundo no carro, na rua, em excursões, viagens
etc., devido às dimensões e ao peso reduzidos do equipamento e
da antena, especialmente nos handy-talkies e transceptores de
bolso de colete. Eles podem colocá-lo em contato com a rede
telefônica e com o mundo, de qualquer lugar onde possa acionar
sua repetidora com autopatch.
Para se comunicar com o mundo, o operador
de VHF nem precisa recorrer ao sistema telefônico. Já temos em
órbita microsatélites equipados com Packet Radio (PACSAT,
LUSAT), que recebem a mensagem e retransmitem à estação
destinatária em qualquer parte do mundo por onde eles passam.
E mesmo sem satélite, o radioamador pode obter resultados
semelhantes, equipando seu veículo com transceptor de VHF e a
sua estação fixa com sistema de telecomando. Com isso ele
poderá ligar do carro seu transceptor de HF, seu amplificador
linear, sintonizar os dois para a freqüência em que deseja
operar, girar a antena de ondas curtas para a direção desejada
e estabelecer contatos de seu automóvel - com todas as
conveniências de uma estação fixa bem equipada - em ondas
curtas (ver Item 13.3).
A tecnologia de VHF, que foi descartada na
virada do século por ser considerada de pouco alcance,
tomou-se na última década do mesmo século não somente de
alcance mundial, mas foi muito além, aonde as ondas curtas,
médias e longas não mais puderam ser utilizadas. De fato, com
a única exceção dos satélites amadores russos RS, todas as
comunicações para fora de nosso planeta são efetuadas em VHF,
UHF e SHF, como acontece, por exemplo, nos contatos com a
sonda Pioneer, que já ultrapassou Plutão, o último planeta do
sistema solar.
Planos de Banda: A Liberdade e seu Custo
Embora se trate de um princípio
universalmente válido para o de radioamador, é nas bandas de
VHF e UHF que sua importância, influência e seus efeitos mais
aparecem.
Esse princípio é o seguinte: tratando-se de
um serviço de telecomunicação livre e experimental, não cabe
ao poder público quer o direito, obrigação de definir canais
de entrada e de saída de repetidoras, subfaixas I transponders,
permitir ou proibir a operação em bandas cruzadas com
repetidoras e com transponders, estipular decolagens padrão,
definir se uma repetidora deve ser de livre acesso ou de
acesso restrito, determinar tons sinalização, freqüência de
subtons ou de tons instantâneos de abertura, estip canais para
comunicação direta ou canais nacionais ou regionais de chamada
de emergência.
Essa liberdade de escolha de freqüências
tem o seu custo: ela representa uma enorme responsabilidade
para as ligas nacionais de radioamadores sentido de fazer
divulgar, e também comunicar às autoridades competente seus
planos de bandas antes que a corrida desordenada de
implantação repetidoras crie uma situação irreversível, às
vezes impossibilitando a operação de satélites nas
proximidades dos grandes centros onde as repetidoras e
localizadas.
A falta de orientação das autoridades,
pelos radioamadores, trazer conseqüências lamentáveis: a
Secretaria de Estado de Comunicações da America Latina,
através da Resolução n. I 163174 designou para a Rede de
emergência Nacional, entre outras, a freqüência de 436 MHz,
bem dentro da subfaixa serviço satélite amador, entre 435 e
438 MHz.
   
Fonte: QTC BRASIL
www.qtcbrasil.com.br
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