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Radioamadorismo
Via Satélites
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2.1 O serviço de radioamador é modalidade de serviço de
radiocomunicações, destinado ao treinamento próprio, à
intercomunicação e a investigações técnicas, levadas a
efeito por amadores devidamente autorizados,
interessados na radiotécnica a título pessoal, que não
visem qualquer objetivo pecuniário ou comercial ligado à
exploração do serviço, inclusive utilizando estações
espaciais situadas em satélites da terra.”Artigo
2. Definições, da norma 31/94.
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urante as décadas de 70 e
80, operar satélites era privilégio de poucos. Alguns
radioamadores mais experientes, se aventuravam em
satélites tipo AO7, AO8,RS15,RS12/13,
entre outros. |
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Época de ouro, no qual
circulavam em órbita de nosso planeta uma boa quantidade
de satélites para radioamador. |
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No entanto
estes satélites operavam basicamente em CW e SSB, com
subidas e descidas em dois metros, setenta centímetros e
dez metros.
A situação não mudou muito; poucos equipamentos ainda hoje
utilizados pelos radioamadores em VHF e UHF, em sua
maioria, não operam em SSB e CW ! Ainda assim atualmente,
temos alguns equipamentos já bem popularizados, que com
certeza permitem este tipo de operação.
Mas na década de 90 o lançamento dos AO27, pela AMRAD (Amateur
Radio Research and Development Corporation) em 26 de
setembro de 1993 e do SO35 pela Universidade de
Stellenbosch, Africa do Sul, em 23 de fevereiro de 1999;
vieram pôr fim a elitização deste tipo de operação. Pois
estes contavam agora com um transponder, analógico para
utilização em FM, permitindo assim que qualquer
radioamador possuidor de equipamento para FM em 144 e 430
mhz, pudesse passar a falar via satélite, abrindo caminho
para uma excitante forma de praticar o radioamadorismo.
Aqui cabe salientar que existem atualmente vários
satélites em FM, mas boa parte deles, é para uso em modos
DIGITAIS, PSK, PACKET, ETC. Vamos nos deter naqueles que
permitem transferir VOZ.
OS LEO, Low
Earth Orbit, Satélite de Órbita Baixa
Todos estes satélites
até aqui comentados, são satélites que operam em órbitas
na ordem dos 800 km de altura, sendo por tanto facilmente
acessados com sistemas de antenas de médio porte.
Estes possuem
invariavelmente órbitas do tipo circular, mantendo
constante a distancia entre o satélite e o centro da
terra. Já os de órbitas elípticas permitem contatos a
maiores distancias, mas com equipamentos e antenas bem
mais apurados.
No caso dos LEO existe um complicante, que é acompanhar a
passagem do satélite que descreve no céu um arco,
orientado em azimute e elevação; fazendo com que em cada
passagem tenhamos um arco mais aberto ou mais fechado em
relação a linha do horizonte.
Vamos supor que um determinado satélite, SO50 por exemplo,
nos forneça os seguintes dados relativos a sua passagem:
Inicio da órbita (AOS) = 07:15 aos 359°
Fim da órbita (LOS) = 07:25
aos 180°
Máxima elevação = 57 °
Traduzindo: O satélite, aparecerá as 07:15, AOS (Acquisition
Of Signal, ou Aquisição do Sinal) na linha do horizonte em
direção ao Norte, descrevendo um arco que passará, quase
por sobre o observador entre o Atlântico e o continente,
passando pela elevação máxima de 57 ° e iniciando a
descida, novamente em direção ao horizonte, saindo pelo
Sul, com LOS (Loss Of Signal, Perda do Sinal). Tudo isto
dentro de um período de exatos 10 minutos, das 07:15 as
07:25.
Durante este período, todas as estações que estejam dentro
do alcance do satélite (foot print), poderão se comunicar,
permitindo em média, contatos da ordem de 2000km a 3000 km
de distância.
Como toda repetidora, e satélites são repetidoras
voadoras, temos de adotar um canal de entrada e um
canal de saída; sendo neste caso as freqüências de subida
(Uplink) e descida (Downlink), para o SO50 por exemplo,
em 145.850 mhz e 436.796 mhz, respectivamente.
No entanto, em se tratando de uma “repetidora” em
movimento os sinais de subida e descida são afetados pelo
efeito de doppler, fazendo que durante sua passagem a
freqüência varie de 436.805 no inicio (AOS), 436.795 no
centro da órbita e 436.790 ao final da passagem (LOS),
aproximadamente.
É o mesmo efeito observado por alguém parado em uma
calçada, e que por ele passe uma “ambulância de sirene
ligada”; fazendo dar a impressão que o som da sirene varie
do mais agudo ao mais grave durante o deslocamento.
Nos satélites que operam com transponder em SSB, o efeito
se torna ainda mais perceptível principalmente nos sinais
em CW. Para completar, além do doppler, temos ainda o
spin, rotação do satélite que faz variar a polarização dos
sinais, que hora chegam verticalmente , hora chegam
horizontalmente polarizados.
AS VARIANTES
Até aqui podemos notar que
operar via satélite, requer atenção a uma gama bem ampla
de variantes:
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inicio da órbita
-
coordenada de entrada
-
variação da elevação
-
variação da freqüência
-
variação da polarização
-
variação de azimute
E é exatamente esta
quantidade de variantes, que faz da operação via satélite
mais uma desafiante opção da prática do radioamadorismo.
A ÓRBITA
Para os mais afetos à
matemática, com certeza; calcular manualmente a próxima
passagem do satélite é algo gratificante, mas torna sem
dúvida a operação bem mais complicada. Para facilitar as
nossas vidas entretanto, dispomos atualmente de vários
programas muito bons para previsão de órbitas. Entre eles
podemos destacar:
-
Winworbit – freeware
-
Orbitron – cardware
-
Nova For Windows – pago
Entre outros tantos que
podemos localizar via internet, são os citados, os mais
populares entre os operadores de satélites da atualidade.
Alguns deste programas inclusive, com a interface
apropriada, permitem controlar o conjunto de antenas em
azimute e elevação, acompanhando automaticamente a
passagem do satélite e dependendo do equipamento utilizado
para UP e Downlink, acompanhar a variação doppler.
AS FREQUENCIAS
Uma maneira, bem prática,
se obter informações sobre os satélites para amadores, é
visitando a página da AMSAT, em
www.amsat.org .Alias, antes de qualquer aventura, vale
a pena dar uma boa navegada no site da AMSAT!
Cabe aqui um parêntese;
referente a utilização dos segmentos do espectro
radioelétrico. Para que todos nós possamos continuar
convivendo em paz, devemos seguir as normas e os acordos
de ética operacional, evitando interferências prejudiciais
que acabem inviabilizando não só a operação via satélites;
mas todos os outros não menos excitantes e diferente modos
de emissão.
A ESTAÇÃO
Após ter adotado o programa
escolhido e de posse do conhecimento necessário, para
escolher este ou aquele satélite, temos de devotar
especial atenção a estação; pois com certeza, dela
exclusivamente depende o nosso sucesso.
Antes de qualquer tentativa
de transmissão, e este é nosso impulso natural, pois caso
contrário seriamos radio escutas, temos de ter certeza
absoluta de uma, no mínimo, muito boa recepção! Pois como
vimos além de sofrer o efeito de variação de freqüência,
doppler, temos o efeito de variação de polarização, spin,
além é claro da degradação dos sinais de descida dos
satélites, que para uma economia lógica de baterias, (e
eles são alimentados por baterias carregadas por meio de
coletores solares), as potencias de descida são
invariavelmente na casa do 1 watt, fazendo que no caso de
satélites de órbitas mais distantes, seja necessário o uso
de pré-amplificadores de recepção, que também podem
auxiliar neste nosso caso em particular, os LEO.
ANTENAS |
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Para que isto seja possível,
temos de nos ater ao conjunto de antenas de recepção. Para
os menos exigentes, podemos utilizar antenas do tipo
turnstile, que são compostas por dois dipolos cruzados e
defasados a 90º , isto para permitir a recepção em
polarização tanto horizontal quanto vertical. Veja figura
ao lado.
Este tipo de antena, muito
conhecido pelos operadores de satélites meteorológicos,
pode ser utilizado com relativo sucesso, em28, 144 e 432
mhz, tanto em recepção como em transmissão.
Uma boa lida nos handbooks da ARRL ou no HANDBOOK DO
RADIOAMADOR de Aslaz, elucidará as dúvidas relativas a
este tipo de antenas. |
Estas porém servem
basicamente para órbitas mais próximas, mais por sobre as
nossas cabeças, e assim como a operação via repetidoras
terrestres, se quisermos alcançar DX, ou seja, órbitas
mais baixas que permitam uma maior área de cobertura, aí
sim, devemos direcionar nosso poder de fogo, utilizando
yagis, principalmente as de polarização circular ou
cruzadas.
YAGI DE POLARIZAÇÃO CIRCULAR
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Neste tipo de antena, temos
duas yagis, na mesma gôndola, defasadas a 90 graus.
Para a yagi, de polarização
linear, basta montar somente uma das antenas.
E como já foi dito em
parágrafos anteriores, ambos os tipos de antenas, devem
ser orientadas em azimute e elevação, manualmente ou por
meio de rotores.
Entretanto para o caso dos LEO, devemos tomar cuidado para
não se utilizar antenas de alto ganho, pois este faz com
que o lóbulo principal |
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fique
muito agudo, tornando a antena muito seletiva,
necessitando de correção a todo o momento. Este problema,
por outro lado, pode ser reduzido ao se utilizarem
sistemas informatizados de rastreamento da órbita, via
interface oferecida por alguns programas.
ANTENAS HELICOIDAIS |
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São estas sem dúvida, a
melhor opção para quem deseja realmente uma operação séria
e eficiente, via satélite. Devido ao seu formato em
espiral, permitem com bom ganho uma recepção circular
perfeita, podendo ser polarizadas tanto a direita (RHCP=
Right Hand Circular Polarization) quanto a esquerda (LHCP=
Left Hand Circular Polarization), sendo padrão para
operação via satélites, a polarização a direita.
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O
EQUIPAMENTO |
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Com o advento dos satélites
em FM, ficou muito fácil operar estas repetidoras
espaciais, pois a grande maioria dos equipamentos
oferecido ao mercado, possuem condições tanto de
transmissão quanto de recepção.Neste caso em particular o
ideal e preferível, é que se tenha condições de efetuar a
monitoração de descida do sinal do satélite, durante nossa
própria transmissão.
Muitos preferem em função de seletividade, versus
sensibilidade, a utilização de equipamentos independentes
para UP e Downlink, permitindo assim além da boa operação
via satélite, também a operação de DX em VHF e UHF, entre
uma passagem e outra.
Atualmente porém, a grande tendência é a fabricação de
equipamentos multibanda, oferecendo numa única peça a
possibilidade de operação automática em bandas cruzadas e
correção automática de doopler, em alguns modelos
específicos.
Para os equipamentos mais comuns, e voltando aos satélites
em FM, devemos ter em mente as seguintes características:
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-
DUAL
BAND
-
FULL
DUPLEX
-
Comandos independentes
para cada banda
-
STEP mínimo de 5 khz, pois
para alguns rádios o passo menor é de 10 khz,
impossibilitando a operação de recepção, devido do
doppler.
-
Transmissão com subton,
programável.
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Uma boa
opção para quem deseja operar de maneira econômica; é a
utilização de seu VHF base para o Uplink acompanhado de
um HT para recepção, fazendo com que assim se possa
inclusive, operar de maneira portátil, abrindo um novo
leque de opções para a operação via satélite.
Pode-se também, optar pela operação QRP, utilizando para
isto rádios HTs, tanto no RX quanto no TX, desde que
utilizadas as antenas apropriadas.
A OPERAÇÃO PORTÁTIL
O autor deste pequeno
texto, por experiência própria, operou portátil/móvel em
várias cidades do Rio Grande do Sul via UO14.
Para isto, experimentei os seguintes arranjos:
1) Uplink: FT23R, HT, 5
watts e yagi de 3 elementos, montada em cano de pvc.
Downlink: ICU68, HT, com yagi de 3 elementos, montada na
mesma gondola de VHF, defasadas em 90 graus.
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2) UP/Downlink:
TM721A, dual band, sem duplexador, com yagi dual band,
parecida com a da figura ao lado, porém com gôndola em PVC
e elementos em FIO de cobre, 8 mm.
3) Uplink: TM 7212 A, antena
vertical ¼ de onda, base magnética.
Downlink: ICT7A, ht dual band, antena yagi de 5 elementos,
polarização linear. |
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Em todos os casos
acima, as antenas são utilizadas na mão do operador,
permitindo apontar as mesmas para o satélite durante a
passagem, com a vantagem de poder variar a polarização, de
vertical para horizontal rápida e facilmente. Em todos os
casos, foram observados 100 por cento de sucesso nos QSOs
via satélite. Sendo porém por comodidade, em função do
peso das antenas, adotado o ultimo arranjo. Tendo em vista
a antena de Uplink ficar fixa no veículo, fazendo com que
a yagi de Downlink fosse utilizada só com os elementos de
UHF, pesando perto de 0,3 kg.
MÃOS A OBRA
Assim sendo e de posse
destas informações, aliadas a perspicácia e ao desejo da
aventura, características típicas do RADIOAMADOR
VERDADEIRO, temos as ferramentas mínimas necessárias para
dar início a operação via satélites, adicionando ao nosso
currículo de radioamador mais um excitante modo de
exercício, deste tão maravilhoso mundo das
radiocomunicações. |
Fonte:
http://www.satfm.org/artigos/radioamadorismo_via_satelites.htm
Cianus Luis
Colossi, PY3DU

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